Neste sábado, 22 de agosto, a Fortes D’Aloia & Gabriel inaugura a individual “Vonta de vi dada dada”, de Ernesto Neto, simultaneamente nos espaços Barra Funda e Jardins da galeria, em São Paulo. A mostra reúne um novo conjunto de instalações escultóricas, trabalhos sobre papel e intervenções textuais, que ampliam a investigação de longa data do artista sobre a interdependência entre corpos, materiais e sistemas vivos.
Uma escultura em aço corten de grandes dimensões habita o salão da Barra Funda junto com esculturas em crochê de algodão e lã que percorrem as paredes em diálogo com a arquitetura. Já o Jardins é transformado em uma floresta, com obras com crochê, cordas trançadas, cerâmica e pedras semipreciosas. Ocupando os dois espaços, esse corpo de trabalho assume configurações orgânicas que evocam insetos, raízes, montanhas e outras formas híbridas, propondo a escultura como um campo de relações, movimento e transformação contínuos.
Em conjunto, as obras transformam a galeria em um ecossistema permeável, mais do que em um espaço expositivo neutro. Escultura, desenho, escrita e som articulam-se como manifestações de uma visão de mundo marcada pelo pensamento cosmológico, pela interdependência ecológica e pelo conhecimento incorporado.
No mesmo dia, o espaço na Barra Funda apresenta “O homem nu”, a primeira mostra panorâmica da obra de Efrain Almeida (1964 – 2024) na galeria desde seu falecimento. Reunindo trabalhos produzidos entre 1995 e 2024, a exposição oferece uma vista ampla de sua trajetória e propõe uma leitura de sua produção a partir das relações entre corpo, espiritualidade e desejo.
Nascido em Boa Viagem, Ceará, o artista desenvolveu uma obra profundamente marcada pelos materiais, pelos saberes e pelas tradições culturais da região do Cariri, transitando entre escultura, instalação, pintura, bordado e aquarela. Ao longo de quase três décadas, articulou diferentes geografias, crenças, identidades e tradições materiais por meio de uma linguagem visual na qual madeira, tecido, bronze e papel tornam-se suportes para experiências ao mesmo tempo íntimas e universais.
A exposição é centrada nas esculturas de Almeida, ao lado de aquarelas, pinturas a óleo e bordados. Entre os motivos recorrentes estão corpos e fragmentos do corpo, vestimentas, autorretratos e animais nativos do Nordeste brasileiro, especialmente aves. Em sua obra, referências ao imaginário católico convivem com a sensualidade do corpo nu, que adquire dimensões tanto eróticas quanto sagradas.
A mostra na FDAG Jardins (R. Barão de Capanema 343, Jardins – São Paulo) vai até o dia 17 de outubro e as exposição da FDAG Barra Funda (Rua James Holland 71, Barra Funda, São Paulo) até o dia 24 de outubro. Funcionamento: de terça a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 19h. Entrada gratuita.