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Instituto MECA ocupa o MAC Niterói com a coletiva “Mistério das Coisas Vivas”

24/06/2026 - Por ArtRio

Entre matéria e transcendência, presença e rito, “Mistério das Coisas Vivas” ocupa o Mezanino do Museu de Arte Contemporânea de Niterói até 23 de agosto de 2026. Reunindo obras de Anna Livia Taborda Monahan, Ana V. Lopes, Yaka Huni Kuin, Julia Gallo, Mayra Carvalho e Caio Pacela — artistas residentes do Instituto MECA entre 2025 e 2026 —, a exposição apresenta um conjunto de trabalhos que investiga diferentes expressões da espiritualidade contemporânea e suas relações com natureza, território, ancestralidade e imaginação.

Com texto de apresentação da curadora convidada Catarina Duncan, além de textos de Danniel Tostes — um dos mentores do Programa de Residência —, e de Bianca Bernardo, curadora artística do Instituto, a mostra reúne trabalhos produzidos ao longo das residências artísticas realizadas entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Em diálogo com linguagens como pintura, escultura, instalação e desenho, as obras articulam práticas poéticas que atravessam corpo, memória e percepção, compreendendo espiritualidade e transformação como experiências vividas, encarnadas e coletivas.

Mais do que apresentar individualidades, a exposição se estrutura como um campo de relações no qual cada obra opera como extensão de universos afetivos, simbólicos e políticos. A partir de distintas cosmologias e percepções do sagrado, os artistas constroem paisagens de encontro entre o íntimo e o coletivo, instaurando zonas de tensão e aproximação entre visível e invisível, matéria e espírito, permanência e transformação.

Ao ocupar o Mezanino do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Mistério das Coisas Vivas propõe ao público uma experiência sensorial e reflexiva voltada à escuta, à presença e à imaginação compartilhada. Em um contexto marcado pela aceleração e pela fragmentação das experiências coletivas, os trabalhos reunidos afirmam o sensível como espaço de elaboração crítica, conexão e reinvenção de formas de existência.

Instalado na Ilha da Conceição, no interior do estaleiro Mac Laren, o Instituto MECA vem se consolidando como um espaço de pesquisa, experimentação e formação artística voltado à criação de redes de permanência, troca e diálogo com o território. A exposição no Museu de Arte Contemporânea de Niterói amplia esse movimento ao colocar em contato direto com o público os processos e investigações desenvolvidos durante as residências.

O Instituto MECA, responsável pela exposição, é uma iniciativa do Grupo Mac Laren. Situado em pleno complexo industrial na Ilha da Conceição, o MECA se destaca por sua proposta inovadora: “A visão do MECA é transformar um espaço técnico e fabril em uma plataforma fértil para a arte contemporânea. Por meio de residências artísticas, programas formativos e exposições, atuamos como ponte entre artistas, comunidades e instituições culturais, ampliando horizontes e promovendo experiências estéticas potentes e transformadoras”, explica Eduardo Mac Laren, diretor de sustentabilidade do grupo e idealizador do Instituto.

Dentre os artistas participantes, destacam-se nomes no cenário da arte contemporânea:

Ana V. Lopes (n. 1998, Japuíba, Brasil) é artista visual, curadora, arte-educadora e pesquisadora contracolonial. Graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), atualmente atua como curadora no Galpão Bela Maré. Em sua prática artística, investiga o encontro entre barro, terra e corpo, fabulando mundos que coabitam, adentrando o campo onírico e narrando histórias. Seus interesses atravessam estudos de processos de queima, coletas manuais e aglutinações orgânicas. Participou dos programas Habitar os Vínculos – Terra Saúva (São Paulo, 2023), Casa Figueira (Rio de Janeiro, 2025) , Ainda,Lab (Rio de Janeiro, 2025) e Arte Livre, Ar Livre com Casa Europa (Rio de Janeiro, 2025). Participou do SOLAR +10 na SP Arte. Sua obras integram coleções particulares brasileiras e internacionais.

Anna Livia Taborda Monahan (n. 1997, Nova York, Estados Unidos) formou-se em Pintura pela EBA-UFRJ em 2021. Estudou gravura e cerâmica em ateliers independentes e integrou, de 2016 a 2021, o grupo de desenho e pintura do Atelier Oruniyá. Seu trabalho investiga o encontro entre a ordem humana e a natureza caótica, combinando pintura a óleo e guache com elementos escultóricos. As cenas mostram criaturas em suspensão, como se à espera de um acontecimento, em paisagens naturais ou urbanas subdivididas em camadas. O uso do sgraffito conecta pintura e relevo, revelando cores vibrantes e terrosas sobre fundos de gesso pigmentado. Vive e trabalha em seu ateliê no Rio de Janeiro, onde aprofunda pesquisas entre estudos científicos, referências do pré-renascimento, surrealismo e paisagens que emergem de suas vivências e do subconsciente.

Yaka Huni Kuin (n. 1996, Jordão, Acre, Brasil) é artista e aprendiz da floresta, nascida na Aldeia Chico Curumim, no Rio Jordão, Acre, Brasil. É parte do MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), fundado por Ibã Sales Huni Kuin, de quem é filha. O MAHKU traduz em imagens os cantos e mitos Huni Kuin, utilizando a pintura como tecnologia de comunicação entre os mundos indígena e não indígena. Yaka é uma importante articuladora artística e social de sua comunidade e uma das fundadoras do coletivo Kayatibu, ponto de cultura que reúne jovens Huni Kuin em torno da preservação de sua cultura através da música, dança e mitos. Co-fundadora do Centro de Cultura Kayatibu e minhas obras estiveram recentemente expostas na exposição “Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea” no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Já fiz parte das exposições “Les Vivans” na Fundação Cartier, França, e da 35a Bienal de São Paulo “Coreografias do Impossível”.

Julia Gallo (n. 1997, Rio de Janeiro, Brasil) é artista visual, vive e trabalha em São Paulo. Seus trabalhos têm por procedimento central o desenho, seja como carvão riscando a tela, tesoura cortando papel ou mesmo sombras translúcidas projetadas no espaço. Gallo cria anatomias ficcionais que dão forma a estados de ânimo específicos, dissolvendo a suposta dicotomia entre corpo e alma. Em seus trabalhos, criaturas indizíveis e gestos indecifráveis são vistos em cenas densas e inflamadas, cuja sensação provoca, simultaneamente, sensações familiares e mistérios vitais. A prática de Gallo é marcada por uma investigação contínua sobre o diálogo entre força e vulnerabilidade. Seus trabalhos revelam texturas que oscilam entre a densidade da matéria e a leveza do gesto, transformando-se em uma narrativa visceral.

Mayra Carvalho (n. 1997, Baixada Fluminense, Brasil) é artista visual e pesquisadora contracolonial. Seu trabalho investiga a força e as confluências dos rios flutuantes como transmissores de mensagens, atravessando memórias, cosmopercepções coletivas e o encontro de saberes. A artista reflete sobre como os ritmos naturais, os ritos e os fluxos dos ventos, rios e terras se entrelaçam às forças dos saberes espirituais de sua etnia, que a orientam e a guiam. Participou dos programas Formação e Deformação, da EAV Parque Lage (Rio de Janeiro, 2021), e Pista, Ritmo, Fluxo, da Elã Escola Livre de Artes, no Galpão Bela Maré (Rio de Janeiro, 2023). Suas obras integram os acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do Museu Histórico Nacional.

Caio Pacela (n.1985, Espírito Santo do Pinhal, Brasil) é bacharel em Pintura (UFRJ), frequentou cursos livres na EAV Parque Lage. Por meio da pintura e desenho, com forte influência da fotografia, a obra de Pacela se distingue por sua aproximação e aprofundamento no tema da espiritualidade e suas ramificações (fé, crença, identidade, culto, oferenda e transcendência), especialmente sob a perspectiva de sua experiência pessoal. Ao eleger a espiritualidade como campo de experimentação encontra nela caminhos para o desdobramento de sua poética ao observar sua ação no corpo e no espaço que o cerca. O artista apresentou exposições individuais recentes como o artista fraco (2025) na Janaina Torres Galeria, em São Paulo, e CONSAGRAÇÃO (2022) na Casa Bicho, no Rio de Janeiro. Entre suas participações em exposições coletivas, destacam-se Prata, Papel, Tesoura (2025) na Janaina Torres Galeria, São Paulo; Do Desenho (2024) no Centro Cultural Correios e Apocalipse (2024) na Casa França Brasil, ambas no Rio de Janeiro. Seu trabalho integra importantes coleções, como a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

O MAC Niterói fica no Mirante da Boa Viagem, s/nº – Boa Viagem – Niterói. Visitação: Terça a domingo, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30) Classificação indicativa: Livre. Ingressos: Inteira: R$16. Meia-entrada: R$8 (pessoas com mais de 60 anos, estudantes de escolas particulares e universidades, ID Jovem). Entrada gratuita para todos às quartas-feiras. Bilheteria: Venda exclusivamente presencial, pagamento apenas em dinheiro.

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