Carmo Johnson Projects apresenta a coletiva “Alimentar os espíritos do chão”
A Galeria Carmo Johnson Projects apresenta a exposição coletiva “Alimentar os espíritos do chão”, com abertura no sábado (28/02), das 14h às 19h, em seu espaço localizado no bairro Alto de Pinheiros, em São Paulo. A mostra reúne cinco artistas em um gesto ritual de oferenda e cuidado com as forças invisíveis que sustentam a vida. Sob curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra parte da ideia de que cada obra é um alimento espiritual, não destinado à contemplação humana, mas à nutrição dos espíritos da terra, da água, do fogo e do ar — potências de fertilidade, transmutação e vitalidade.
Em um contexto marcado pela colonização da natureza, pelo extrativismo, pelas mudanças climáticas e pelas crises ecológicas, a exposição se configura como um feitiço para um futuro fértil. As obras apresentadas operam como alianças diretas com a matéria evocando a terra, argila, fibras naturais, pigmentos orgânicos, água, som, entendidos não como suporte, mas como força viva, espiritual e ancestral. Pintura, fotografia, escultura, bordado, instalação, ativação sonora e performance compõem um campo expandido de práticas que cruzam arte, ritual e cosmologia.
Mayra Carvalho, artista de ascendência Iny Karajá, trabalha com materiais como barro, terra, água e ferro, ativando memórias de construção, ancestralidade e espiritualidade em obras que operam como portais entre o físico e o invisível. Kuenan Mayu, de etnia materna Tikuna, utiliza o tururi, uma fibra ancestral amazônica, como receptáculo espiritual, criando pinturas com pigmentos naturais que invocam forças de proteção e equilíbrio da Natureza.
Vencedora do Prêmio FOCO ArtRio de 2023, Laryssa Machada constrói imagens performáticas que reencantam o território brasileiro, acionando a fotografia, a instalação e o corpo como tecnologias de invocação de entidades apagadas pela violência colonial. Sheyla Ayo reinscreve o corpo negro como território sagrado, tecendo, entre pintura, linha e matérias naturais, mapas ancestrais atravessados pela filosofia iorubá, pela memória e pela diáspora. corcione investiga uma geologia ficcional pós-humana por meio da cerâmica e do som, tratando a argila como carne da Terra e ativando experiências vibracionais que devolvem o humano ao estado primal de contato com a matéria.
Alimentar os espíritos do chão se apresenta, assim, como um banquete e uma oferenda ao metabolismo invisível do mundo. Entre ritos, práticas de transmutação e saberes ancestrais, a exposição lança uma semente poética e espiritual para fertilizar futuros possíveis.
A coletiva “Alimentar os espíritos do chão” vai até o dia 28 de março. A Carmo Johnson Projects fica na Rua Anunze, 249, Boaçava, Alto de Pinheiros, São Paulo. Funcionamento: de terça à sexta, 11h às 17h. Sábados sob agendamento. Entrada gratuita.