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Exposições de Alfredo Jaar e Anna Maria Maiolino na Luisa Strina

05/08/2026 - Por ArtRio

A galeria Luisa Strina inaugura duas exposições individuais neste sábado, 8 de agosto, em sua sede, em São Paulo. De Alfredo Jaar, “O lado escuro da lua” reúne 48 obras criadas nas décadas de 1970 e 1980, durante o período da ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. No título, o artista faz referência ao emblemático álbum Dark side of the moon, da banda inglesa de rock progressivo Pink Floyd, lançado meses antes do Golpe de Estado, em 1973, e que virou sua obsessão musical até deixar o país.

A exposição ocupa a Sala 1 da Luisa Strina e reúne obras que têm como ponto de partida o impacto da ditadura chilena na trajetória de Jaar. Mais do que registrar a violência do período, os trabalhos investigam as transformações políticas, sociais, econômicas e culturais provocadas pelo regime militar, temas que atravessam sua produção até hoje.

Entre os trabalhos apresentados estão a série September 11, 1973, que enfatiza a data e o horário do bombardeio ao Palácio de La Moneda, e Buscando a Kissinger, composta por intervenções sobre fotografias e documentos desclassificados que confrontam o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger por seu papel na articulação do golpe.

A exposição também apresenta trabalhos da série Studies on Happiness, na qual Jaar reflete sobre a ilusão de prosperidade prometida pelo modelo neoliberal imposto durante a ditadura, incluindo suas intervenções urbanas com a pergunta “¿Es usted feliz?”.

Já a exposição “Presença”, de Anna Maria Maiolino, apresenta um conjunto de 25 obras inéditas que dão continuidade à ampla pesquisa desenvolvida pela artista ítalo-brasileira ao longo de mais de seis décadas. Com texto crítico de Lotte Johnson, curadora do Barbican Centre, em Londres, a mostra, que estará em exibição na Sala 2, apresenta a diversidade da produção da artista e do uso de diferentes técnicas e materiais.

No espaço, o público encontra desenhos realizados com canetas de tinta permanente, a exemplo da série Na Noite – No Escuro; uma obra com seis peças em cerâmica Raku; e um conjunto de pontos e linhas, também em cerâmica Raku, denominado Na Parede. Há ainda obras em tinta acrílica sobre chapa de radiografia, como as da série Marcas na Transparência. No centro da sala, estarão seis esculturas de vidro — as peças Do Sopro, da série Emanados — apoiadas sobre estruturas de ferro.

“Os vários meios utilizados formam uma ‘materialidade de comunicação’, parafraseando o teórico literário Hans Ulrich Gumbrecht, que afirma que a presença é a relação física, espacial e tangível com o mundo e com as coisas, indo além da interpretação de símbolos”, conta Maiolino. “A arte contemporânea, ao se distanciar do símbolo e da interpretação, reaproximou os seres humanos da materialidade real.”

Em Presença, as formas-esculturas são e sugerem, em sua maioria, signos. “Elas formam um conjunto expressivo com os pequenos desenhos fixados na parede. As obras criam uma presença física e tangível no espaço e com o espectador”, explica a artista. “Há, aqui, a importância de recuperar a presença, entendida como a dimensão física, material, sensorial e espacial da relação humana com o mundo. Valoriza-se o corpo e seus sentidos, tanto do autor quanto do espectador, como experiência estética.”

As mostras vão até o dia 19 de setembro. A Luisa Strina fica na Rua Padre João Manuel, 755 – São Paulo. Funcionamento: de segunda a sexta, de 10h às 19h; sábado, de 10h às 17h. Entrada gratuita.

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