Luisa Strina | Ralo, de Marina Saleme
Com uma trajetória de 40 anos na pintura, a artista cria paisagens que prescindem da afirmação ou validação do real, sem segregar noções ou categorias (realistas, documentais, fictícias, poéticas) de mundos e suas imagens. Sua pintura sustenta-se em um campo de experimentação entre muitas compreensões de cultura e natureza², sem se esquecer de que esta última ainda é definida a partir dos vínculos humanos com o meio em que se dão. Por muito tempo prevaleceu a ideia de que a natureza é o amparo ontológico dos seres humanos – um lócus estável e imutável sobre o qual o drama humano (política, ética, história) acontece -, e Marina produz consciente dessa perspectiva, mas também atenta ao fato de que a natureza deixou de ser vista apenas como um cenário passivo, silencioso. Em seus trabalhos, essas distinções são carregadas de irradiações.
Essas obras oferecem aos nossos olhos um atrito, um conflito, uma fricção. Isso parece acontecer graças a um procedimento de insistência presente no processo de Marina, que é a busca por traduzir expressões visuais daquilo que “pula no olho” para a tela, como ela conta. Esse deslocamento processual aceita acasos, refeituras, mudanças de ideia, numa espécie de mobilização poética onde compactuam gesto, tempo e convivência com as imagens. Há que se manter a capacidade de se assombrar, assim como a de questionar o que a pintura vai apresentando.
Ralo, de Marina Saleme
Luisa Strina | Rua Padre João Manuel, 755 – São Paulo
Abertura: dia 26 de maio de 2026, de 18h às 21h
De 26 de março a 25 de julho de 2026
De segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado de 10 às 17h
Entrada gratuita.